Foucault: "O que é a paixão? É um estado, é algo que te toma de assalto, que se apodera de você, que te agarra pelos ombros, que não conhece pausa, que não tem origem. Na verdade, não se sabe de onde vem. A paixão simplesmente vem. É um estado sempre móvel, mas que não vai em direção a um ponto dado. Há momentos fortes e momentos fracos, momentos em que é levada à incandescência. Ela flutua. Ela balanceia. É uma espécie de instante instável que se persegue por razões obscuras, talvez por inércia. Ela procura, ao limite, manter-se e desaparecer. A paixão se dá todas as condições para continuar e, ao mesmo tempo, para se destruir a si própria. Na paixão, não se é cega. Simplesmente, nestas situações de paixão não se é quem se é. Não tem mais sentido de ser quem se é."
Schroeter: "O amor é um estado de graça, de afastamento."
Foucault: "Pode-se perfeitamente amar sem que o outro ame. É uma questão de solidão. É a razão pela qual, em algum sentido, o amor é sempre cheio de solicitações de um para com o outro. É aí que está sua fraqueza, porque pede sempre algo ao outro, enquanto que, no estado de paixão entre duas ou três pessoas, há algo que permite comunicar intensamente."
trechos de uma conversa entre Foucault e Schroeter. Entre o amor e os estados de paixão. 1981.
para ler mais rapidinhas de Foucault, http://vsites.unb.br/fe/tef/filoesco/foucault/biblio.html
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário