quinta-feira, 4 de junho de 2009
Buraco negro
Ouvi algo hoje, sobre psicanálise e coisas incritas na ordem de alguma coisa: " Você tem que ver se ali se constituiu um corpo. Como a prostituta aguenta receber cinco, dez clientes por dia? É porque ali não tem corpo pra sofrer, é um buraco negro. Prostituição não é pra quem quer, é pra quem pode." Entendo o argumento. Mas o que dizer sobre as condições sociais que impelem alguém a prostituição? Falando assim pode parecer que existe um tipo especial de gente que suporta esses argúrios, uma casta das prostitutas. Eu compreendo que a educação exponha as pessoas a atribuir determinados sentidos em suas vidas, a estabelecer uma demarcação ou não de certos limites corporais - e foi por esses aspectos que eu interpretei o que foi dito. Não se trata de uma desresponsabilização, mas é justamente pelo contexto social que não é prostituta quem quer, assim como não é louco quem quer - é louco quem pode.
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